sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CULTO, UMA OPORTUNIDADE DE COMUNHÃO


No Salmo 122 o peregrino celebra a oportunidade de cultuar a Deus em Jerusalém, o centro do culto do crente na Antiga Aliança. Sua alegria começou no momento em que foi convidado para ir à Casa do Senhor, o templo que estava em Sião. Aquela alegria que inicialmente o atraiu é lembrada agora, depois que chegou, e faz com que ele esqueça os perigos, desconfortos e cansaço da viagem. Estava diante da recompensa, e dizia: valeu a pena!

Isto porque seus pés estavam agora firmes dentro dos muros da cidade que Deus havia escolhido como símbolo da Sua morada. O valor da cidade estava naquilo que ela significava, na função que Deus LHE designara. É isso que o peregrino canta na segunda parte do salmo.

A cidade foi edificada para ser um centro de comunhão. Esta idéia aparece no verso três, e tem sido traduzida como “compacta” ou “bem sólida”. Na língua original dois termos são usados. Um expressa a idéia de “ajuntado”, “reunido”, “em comunhão”, o outro de “estar unido”. A versão grega traduziu com um termo que indica sociedade, companheirismo, participação compartilhada. Jerusalém foi construída para ser um local de unidade e comunhão do povo de Deus, era o centro onde a comunidade se reunia e manifestava sua unidade. Esta união não quer dizer uniformidade, pois eram doze tribos que subiam. Havia uma diversidade. Cada tribo era uma tribo distinta. O que as unia era o fato de serem do SENHOR (verso 4).

Um dia Deus vai restaurar a Jerusalém terrestre como local de adoração e comunhão de Seu povo (Is 2.3). Mas, hoje nossa comunhão se manifesta na Igreja, o templo que Deus está construindo na atual dispensação (Ef 2.19-22; 4.16). É na reunião com outros irmãos que celebramos a nova aliança (1 Co 11.25,33), que cultuamos nosso Deus com alegria (Ef 5.19; Cl 3.16).

Este culto deve ser momento de comunhão, não apenas com Deus, mas também uns com os outros. Na Igreja, pessoas diferentes foram unidas num corpo (1 Co 12.13). Apesar das diferenças elas têm muito em comum (Ef 4.4-6). Só que esta unidade demanda esforço, ela não ocorre automaticamente (Ef 4.3). A alegria é completada através da unidade (Fp 2.1-4).

A igreja primitiva manifestava esta unidade. Perseveravam juntos, conheciam as necessidades uns dos outros, ajudavam-se mutuamente, compartilhavam refeições, e participavam de momentos alegres em união (At 2.42, 44,46).

Em muitas igrejas isto não ocorre. As pessoas chegam para o culto já em cima da hora, ou até atrasados, participam dos cânticos, escutam a mensagem, doam suas ofertas, e saem correndo para casa, para suas atividades individuais. Não há interesse em conhecer os outros adoradores, desejo de saber de suas alegrias e tristezas, de compartilhar de suas necessidades, de se prontificar para ajudar os que precisam.

Algumas vezes a idéia demonstrada é mais de pessoas que vão a um mesmo cinema assistir o mesmo filme, no mesmo horário, do que de adoradores que vão manter comunhão com Deus e uns com os outros. Não podemos falar de nossas igrejas como um grupo compacto, sólido e unido.

Da mesma maneira que Israel testemunha ter um só Deus através da adoração num só lugar, nós testemunhamos que Deus enviou Jesus através da unidade (Jo 17.21), testificamos que somos seguidores de Jesus através do amor uns para com os outros (Jo 13.35), manifestamos que passamos da morte para a vida ao amar os irmãos (1 Jo 3.14).

Note quantos mandamentos no Novo Testamento são acompanhados da expressão uns aos outros, e conclua que o cristianismo é coletivo, comunitário, e não uma espiritualidade individualista. Quando for ao culto procure adorar também através da comunhão. Assim, o ir a casa do SENHOR será motivo de alegria para você e para Deus. Pois, Hebreus 13.16 diz Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação (comunhão) ; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fazer Missões é participar da construção do projeto de Deus

Deus tem um projeto: manter comunhão com Seu povo. Isto é visto em vários momentos da história da redenção. No princípio Ele criou o homem e o colocou no Jardim do Edem onde o visitava (Gn 2.15; 3.8). Mas a desobediência do homem impediu que esta comunhão continuasse sem barreiras.

Mesmo assim Deus quer abençoar o homem com a Sua presença. Por isso deu início ao projeto da redenção. Este projeto será consumado quando o próprio Deus descer para habitar com os homens (Ap 21.3). Neste projeto Deus atua por fases (dispensações), em cada uma delas é concedido ao homem o privilégio de participar. Um exemplo disso ocorreu quando Deus ordenou a construção do tabernáculo (Ex 25-31; 35-40).

O nome “tabernáculo” vem do verbo “habitar”, na língua original do Antigo Testamento. Ele seria um santuário, isto é, um lugar colocado à parte, ou consagrado como símbolo da morada de Deus entre o povo, o palácio do Rei no meio dos seus súditos (Ex 25.8; 29.45). Deus não precisava de um lugar que simbolizasse sua morada (1 Reis 8.27) , mas o povo precisava ser constantemente lembrado de que Deus estava no meio deles, e que por isso deviam ser santos. Com o tabernáculo Deus estava cumprindo a promessa de tomar Israel como Seu povo, e ser o Deus de Israel (Ex 6.7).

O que é necessário para o homem participar do projeto de Deus? Em primeiro lugar: disposição para obedecer. O tabernáculo deveria ser feito conforme o modelo, a planta que Deus mostrara a Moisés (Êxodo 25.9, 40; 26.30; 27.8). Deus deixa isto bem claro. As instruções e os detalhes da construção formam a maior porção da segunda parte do livro do Êxodo (quando acampados no Sinai), mostrando que tudo deveria ser feito conforme as normas estabelecidas por Deus. A repetição da expressão “conforme o Senhor ordenou” também enfatiza esta verdade (Ex 35.4,10; 36.1; 39.1,5,7,21,26,29,31,32,42,43; 40.16,19,21,23,25,27,29,32-33).

Uma segunda atitude para cooperar com a obra de Deus é disposição para contribuir. Esta contribuição é feita com nossos recursos e nossos talentos. Deus deu ao povo de Israel o privilégio de doar os materiais para a construção do tabernáculo (Ex 25.1-7; 35.4-29). Esta doação era para ser de boa vontade, isto é, movida pelo coração, de modo generoso, livre e espontâneo. Esta é outra ênfase do texto (Ex 25.1; 35.5,21,22,29). Esta doação nada mais era do que a devolução do que Deus já havia doado ao Seu povo. Pois estes materiais estavam na posse de Israel porque Deus movera o coração dos egípcios para lhes darem (Ex 12.35,36). Um dia aquela oportunidade cessou (Ex 36.2-7), e os que não haviam doado, não puderam mais participar. Puderam ver a glória de Deus se manifestando na inauguração do tabernáculo, mas não tiveram a alegria de perceberam sua participação naquela obra.

A doação também foi de acordo com a possibilidade (Ex 35.23,24,27), as pessoas doaram o que tinham. Este é outro princípio para a contribuição no Reino de Deus, de acordo com aquilo que alguém tem (2 Co 8.12). O que importa é a boa disposição, que motiva a verdadeira generosidade, independentemente de quão pequena seja a soma disponível. É por isso que creio ser o dízimo uma das formas mais justas de contribuição, pois não há dízimo maior ou menor. Diante de Deus o dízimo de quem ganha cem mil é igual ao de quem ganha mil, pois é a décima parte para ambos. Quem alega não poder dar o dízimo porque ganha pouco, de fato manifesta que é pobre não de recursos, mas de boa vontade.

Outra maneira de contribuir com a obra de Deus é o uso dos nossos talentos, de nossas habilidades (Ex 28.3; 31.3-5; 35.10,25,26, 30-35; 36.1,8; 38.22). O Espírito de Deus havia capacitado pessoas para realizarem aquela construção e toda a arte que estava incluída. Além disso havia habilitado para ensinarem outros a fazerem a obra. O uso dos talentos também era a devolução e desenvolvimento daquilo que o próprio Deus já havia providenciado (Ex 31.1-6). Por isso não havia motivo para orgulho e soberba (1 Cor 4.7).

Nós também estamos participando da edificação de um tabernáculo, um templo: a Igreja de Cristo, o povo de Deus. Ela é o Corpo de Cristo, o modo como Deus habita com os homens hoje. Cooperar com esta obra exige obediência. É preciso fazer tudo seguindo as instruções de Deus, Ele é o Dono da obra, e o que fazemos é para agradar a Ele, e não a nós mesmos. Ele nos deu um manual, a Bíblia, que nos mostra como devemos proceder nesse templo que Ele está construindo, a Sua Igreja (1 Tm 3.14,15). Precisamos confiar nas instruções de Deus.

Também exige a doação de nossos recursos com alegria e de acordo com nossas possibilidades. Contribuir com recursos para a obra de Deus é uma questão de coração, de boa vontade, de valorizar aquilo que Deus valoriza, não de necessidade ou tristeza (2 Co 9.7). É um sinal de que foi alcançado pela graça, de que o coração foi movido por Deus, é não é mais um coração endurecido. Os que não contribuem com seus bens não tiveram o coração movido por Deus, e por isso ele ainda está endurecido para valorizar a obra de Deus, sinal de que a graça não lhes alcançou.

É interessante que, quando não usamos nossos recursos e talentos para Deus, vamos usar com coisas que nos afastam de Deus. O povo de Israel também nos mostra isso. Antes havia usado o ouro que Deus lhes dera para fazer um bezerro (Ex 32.2-4), e acreditaram que aquilo era o deus deles. Ainda hoje, as pessoas que são mesquinhas em contribuir com a obra de Deus, acabam desperdiçando seus bens e talentos em atividades que nãos lhes trará a alegria de ver a glória de Deus.

Creio que a maior alegria para os que contribuíram com dons e talentos foi ver a glória de Deus entrando no tabernáculo no dia da inauguração (Ex 40.34,35). Que inauguração fantástica! Hoje nós não vemos a glória que um dia será revelada através da Igreja. Atualmente ela está em construção. Mas um dia ela estará perfeita diante de Deus (Ef 5.25-27). Mas o exemplo do povo de Israel permanece para nós: desejo de obedecer+desejo de contribuir com recursos e talentos= um serviço que manifesta a glória de Deus. Isto é fazer missões.

domingo, 25 de outubro de 2009

Enfrentando o desafio de criar fihos em tempos de crise


Os dois últimos artigos sobre criar filhos em tempos de crise foram transformados numa mensagem de 15 minutos para um programa de rádio. Caso você queira ouvir clique no linkhttp://ww.4shared.com/dir/16177118/dda5c17d/sharing.html

sábado, 17 de outubro de 2009

O DESAFIO DE CRIAR FILHOS EM TEMPOS DIFÍCEIS!

Segunda Parte
Criar filhos em tempos difíceis é um grande desafio, mas também uma grande oportunidade. Os pais de Moisés demonstram isto Êxodo 2.1-10; Atos 7.18-22; Hebreus 11.23. Eles nos ensinam que é preciso fé e visão. Coragem é outra característica daqueles pais. A ordem do rei não os amedrontou.
Por já terem dois filhos, até poderiam usar a desculpa de que já havia cumprido sua parte na propagação da raça que já haviam dado a sua contribuição para o crescimento da nação. Seu nome para o futuro já estava garantido. Por que correr riscos por esse bebê? O Faraó os maltratou, quis colocar o medo no coração daqueles pais para que abandonassem desistissem de criar seus filhos. Os pais de Moisés resistiram com uma fé corajosa. É preciso coragem para enfrentar os perigos e as ameaças do mundo, e assumir o cuidado dos filhos. Os ataques da incompreensão de vizinhos, professores, colegas, e até dos próprios filhos; as ameaças de falsas amizades, os perigos da liberdade sem os limites da disciplina. A fé em Deus não se amedronta e com coragem faz o que é preciso para criar os filhos de modo que agrada a Deus. Visão sem coragem é sonho frustrado. Visão sem ação é apenas boa intenção.
Era uma fé sábia, que não se deixou enganar, mas que percebeu as prioridades de Deus naquele momento. O Faraó usava de astúcia, isto é, artimanhas, esperteza, falsos argumentos, que pareciam ser bem elaborados (At 7.19). Seu objetivo era que os pais abandonassem os filhos, e assim estes não sobrevivessem. Também hoje o mundo usa de astúcia, deseja que os pais abandonem os filhos.
Quantos pais são enganados pelos argumentos falsos do mundo e se descuidam dos filhos! Por pensar que os bens materiais é a verdadeira qualidade de vida, mães abandonam a missão de criar os filhos para aumentar a renda da família! Por acreditar que a escola ou mesmo a igreja são capazes de dar toda a instrução necessária, pais tem se despreocupado com o ensino de virtudes morais para seus filhos. Por considerar que o tempo vai cuidar de tudo, eles não se importam em disciplinar para que os filhos cresçam diligentes. Por crer que dizer "não" pode frustrar a criança, eles permitem que a criança cresça cheia de vontades e manhas, e não aprenda a lidar com as contrariedades. Por valorizar mais a aparência física, mães deixam os filhos aos cuidados de outros e vão para cuidar de sua própria beleza e amizades! É preciso sabedoria para perceber o que é mais importante, o que é de maior valor, e investir nisso, sem se deixar enganar pela astúcia do mundo.
Nossa fé deve ser criativa. A mãe de Moisés revela isto. Ela busca soluções para driblar a fúria do Faraó. Faz um cesto de juncos, uma espécie de miniatura dos barcos de papiro que navegavam no Nilo. Coloca seu filho nele, e põe a outra filha para vigiar. Ela deixa seu filho, mas não para morrer. Parece incrível, mas ninguém mais teve aquela idéia! Precisamos ousar criar soluções de acordo com o ensino bíblico para salvar nossos filhos das ameaças do mundo. É preciso criatividade para driblar a astúcia do mundo. Muitas vezes temos a visão e a coragem, mas somos negligentes em pensar em soluções criativas. Temos preguiça de pensar e fazer as coisas de forma diferente da maioria. Achamos mais cômodo seguir a maioria, fazer como todo mundo faz. A fé em Deus será criativa em buscar soluções para salvar os filhos da influência do mundo.
A fé deve estar disposta a sacrifícios. A mãe de Moisés se dispõe a amamentar o filho até certo tempo, e depois deixá-lo ir com a princesa (Ex 2.9,10). O que isto demonstra? Uma disposição para o sacrifício, trabalhar para Deus, sem a perspectiva de ver os resultados do trabalho ainda nesta vida. É provável que os pais de Moisés não viram a grande obra que seu filho realizou. Mas indicaram que tinham confiança em Deus para cuidar de seu filho, quando ele estivesse longe dela. É preciso fé para fazer sua parte e confiar que Deus cuidaria do restante. Também disposição para deixar seu filho cumprir o plano de Deus, mesmo que ela não possa acompanhar todos os passos dele. Aquela mãe não criou o filho para si, mas para Deus. Quantos pais não demonstram esta disposição e confiança de deixar seus filhos nas mãos de Deus para cumprir a obra que Deus tem para eles! Mas agarram seus filhos a si, como se fossem sempre deles. Criam os filhos de maneira que estes não ousam obedecer a Deus, não criam nos filhos a fé que se dispõe a fazer o que Deus quer. Pais que comportam-se como pais apenas quando é conveniente, mas não estão dispostas a enfrentar desafios, a fazer sacrifícios.
Foi um desafio para Anrão e Joquebede criarem filhos naqueles tempos difíceis, mas também uma grande oportunidade. Ao agir com este tipo de fé eles legaram ao mundo três filhos influentes: Miriam, que se tornou profetisa (Ex 15.20); Arão, o primeiro sumo sacerdote do povo de Israel; e Moisés, o libertador e legislador daquele povo.
A fé que os pais de Moisés tiveram vai se revelar no filho. Ele também mostra conhecimento de valores maiores do que a riqueza do Egito (Hb 11.26), disposição para se sacrificar em prol do Reino de Deus (Hb 11.24,25), coragem para não temer o Faraó, e visão do invisível (Hb 11.27). Criaram um herói da fé, formaram um dos maiores homens da história da humanidade. Que o exemplo deles inspire os pais de hoje a terem uma fé, visão, coragem e criatividade para criar filhos de acordo com a vontade de Deus, e a não jogá-los nos rios do mundo.

sábado, 10 de outubro de 2009

O QUE É PRECISO PARA CRIAR FILHOS EM TEMPOS DIFÍCEIS?



1ª Parte
Criar os filhos é uma tarefa que exige muito. Criá-los numa época de opressão e ameaças é um desafio ainda maior. O que é preciso para ter sucesso nesta tarefa quando os poderes espirituais e humanos se unem para destruir nossos filhos? Há um caso na Bíblia que nos mostra a possibilidade e a maneira de criar grandes homens em época de profundas aflições. Esta história nos é contada em três textos: Êxodo 2.1-10; Atos 7.18-22; Hebreus 11.23.
O povo de Israel estava no Egito. Os tempos de bonança e privilégios haviam passado, agora novos tempos aparecem, e estes são de aflição e perigos. O medo domina o novo rei do Egito, e ele ordena o assassinato dos filhos dos hebreus (Ex 1.22). Formar uma família numa situação destas é um verdadeiro desafio. Mas a vida não para por causa dos perigos, e casar e gerar filhos faz parte da rotina da vida, independente das ameaças e problemas. Por isso um homem da tribo de Levi se casa e sua esposa concebe um menino. A ordem do cruel Faraó é que o menino seja jogado no rio Nilo, onde morreria afogado, e/ou devorado por crocodilos. O que fazer?
Nossos tempos são semelhantes. É verdade que não somos escravos no Egito, nem estamos debaixo de um rei intitulado “faraó”, nem próximos a um rio Nilo. Mas, há outros “faraós” que tentam destruir nossos filhos: as psicologias, pedagogias e leis que impedem os pais de exercerem controle e disciplina, quase que exigindo que desta maneira os joguem nos seguintes rios: o mundo com sua opressiva influência de ondas e modas; a TV com sua propaganda de valores anti bíblicos; a falsa amizade com seus convites por prazeres rápidos e mortais; a escravidão da indisciplina, com seus modos de relaxo e preguiça; o materialismo com suas promessas de enriquecimento rápido e ilícito; as violências do trânsito, dos traficantes, do assédio sexual com suas propostas de justiça própria; e a autonomia libertina, com idéias de independência. O que fazer?
O texto de Hebreus 11.23 nos diz que é preciso para enfrentar os faraós e rios do mundo. Esta fé se manifesta em visão, coragem, criatividade, e disposição para o sacrifício. Os pais de Moisés viram que o menino era bom. O verbo “ver” na língua hebraica incluía os sentidos de “considerar”, “perceber”, “entender”, entre outros (Dicionário Internacional de Teologia do AT, pg 1383). “Bom” indica algo bonito e de valor (a mesma expressão que relata o modo como Deus viu sua criação Gn 1.10).
Por isso a mãe de Moisés o guardou como se fosse um tesouro. Não era apenas mais um menino, mas um menino muito especial, uma riqueza, algo a ser cuidado e preservado. Ela viu o filho com os olhos de Deus. Aquele recém-nascido, odiado pelo Faraó, era amado por Deus, era belo aos olhos de Deus (Atos 7.20). Ela não pensou nos problemas que criar aquele filho exigiria, mas nas possibilidades que aquele menino trazia em si, no potencial que estava ali, no que ele poderia ser. Ela viu o que Deus poderia fazer através daquela vida. Ela já tinha pelo menos dois filhos: uma menina (Miriam) e um menino (Arão). Por que manter aquele recém-nascido? Porque ele não era apenas mais um menino, era uma pessoa com um grande futuro pela frente.
Pais precisam ver os filhos com os olhos de Deus, ver além das circunstâncias. Necessitam olhar além das dificuldades do momento. Devem pensar no futuro, nas realizações que os filhos potencializam. Quantas mulheres abortam seus filhos por levar em conta apenas os obstáculos que eles serão, os prejuízos que trarão, as dificuldades que enfrentarão para criá-los. Quantos abdicam de cuidar filhos por buscarem uma vida mais cômoda, sem problemas. Vêem nos filhos apenas mais bocas para alimentar, mais trabalho a realizar. Não pensam neles como mais cabeças para pensar, mais dentes para sorrir, mais braços para realizar grandes obras, mais pernas para caminhar adiante de nós! A fé em Deus vê o que Deus pode fazer em e através de nossos filhos.
Pense no que seus filhos poderão ser nas mãos de Deus. Em tudo que Deus poderá fazer neles e através deles. E então note que vale a pensa gastar tempo com eles, esforçar-se por eles, investir neles, orar por eles, levá-los à igreja, etc. Veja seus filhos como tesouros doados por Deus, para você cuidar.

sábado, 3 de outubro de 2009

VALORIZANDO AS CRIANÇAS


No dia doze de outubro é comemorado o dia das crianças. Neste dia programas especialmente para crianças são realizados, pais e mães se esforçam para dar um presente para os filhos, etc. É válido ter um dia especialmente dedicado às crianças porque nos lembra nossos deveres para com elas, especialmente a importância de valorizá-las. Mas por que devemos dar valor às crianças?

Várias respostas a esta pergunta poderiam ser dadas. Por exemplo: educando as crianças agora, elas nos darão alegrias mais tarde; o futuro da igreja depende do modo como tratamos as crianças hoje; o que plantarmos na mente de uma criança, alimentará o restante de sua vida, etc. No entanto, creio que a mais importante para os seguidores de Cristo é: Jesus valoriza as crianças.

Para comprovar isto vou apresentar quatro declarações de Jesus. A primeira está em Marcos 9.36,37. Os discípulos discutiam quem era o mais importante entre eles, Jesus toma uma criança, coloca-a nos braços, e diz que receber uma criança como aquela era o mesmo que recebê-Lo. Jesus estava querendo mostrar que serviço e tratamento de honra não é algo que se dá apenas aos grandes, aos maiores, mas também aos pequenos. Jesus tratou com dignidade aquela criança, e disse que é assim devemos fazer. Servir os pequeninos é servir a Jesus. Tratá-los com honra é honrar a Jesus. Tanto no seu gesto, como nas suas palavras Jesus demonstrou que valoriza as crianças.

Outra está em Mateus 18.6, onde Jesus claramente afirma que é melhor amarrar uma grande pedra no pescoço e se atirar no meio do mar, do que fazer tropeçar (escandalizar) um dos pequeninos que crêem Nele. O termo traduzido como pequeninos , tanto pode se referir a pequenos fisicamente como a novos na fé. Uma criança é as duas coisas, tanto é pequeno fisicamente, como pequeno na fé. Escandalizar, ou fazer tropeçar, indica qualquer atitude que leve aquele pequeno a se desviar do caminho de Cristo. Jesus deixa claro a responsabilidade pelos pequenos. Fazê--los cair é também a nossa queda. Com esta séria advertência Jesus valorizou os pequenos que crêem Nele.

Ainda em Mateus 18, no verso 10, Jesus nos ordena a não desprezar os pequeninos. Desprezar inclui mão valorizar, tratar com desinteresse, não fazer caso. A razão dada por Jesus para esta ordem é que Deus está cuidando deles, olhando para eles. Já que Deus mostra interesse por eles nós devemos demonstrar também. O cuidado de Deus pelos pequenos demonstra que Jesus os valoriza.

A última declaração está em Marcos 10.13-16. Algumas pessoas (talvez os pais) trazem crianças para Jesus tocar nelas e as abençoar. Só que os discípulos vêem isto como um empecilho ao trabalho de Jesus, e repreendem aquelas pessoas. Quando Jesus viu o que os discípulos faziam ficou indignado, esta palavra indica forte desagrado. Ordena que os discípulos deveriam deixar as crianças chegar até Ele. Não deveriam furtar esta graça àquelas crianças, negar-lhes este privilégio. Não era para criar embaraço às crianças chegarem até Jesus. As crianças que chegam a Jesus têm o Reino dos céus. Jesus então abraçou e abençoou cada uma daquelas crianças. Deve ter sido um momento bem especial para elas. Por ordenar que não se crie obstáculos para que as crianças conheçam Jesus, por dizer que é possível as crianças entrarem no Reino dos céus, e por dar atenção especial aquelas crianças Jesus valorizou as crianças.

Trabalhar com crianças é para pessoas que talvez não sejam notadas pelos outros, nem valorizadas pelos “grandes”, mas que acreditam que serão valorizadas por Deus por estarem servindo os pequenos que Jesus valorizou. Pessoas que sentem a responsabilidade de não fazer estas crianças tropeçarem na fé. Pessoas que, sabendo do cuidado que Deus tem pelas crianças, querem demonstrar que não as desprezam. Pessoas que acreditam que estas crianças podem ser salvas, podem entrar no Reino dos céus, e por causa disto querem ensiná-las. Pessoas que querem imitar Jesus, abraçando e abençoando crianças com o ensino da Palavra de Jesus.

E então, você valoriza as crianças?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

E QUANDO A VIDA NÃO É A DOS NOSSOS SONHOS?


Sonhamos. Ah, como sonhamos! Sonhamos com a vida ideal, o emprego sem problemas, o casamento perfeito, e filhos fantásticos! Sonhamos com a viagem sem turbulências, negócios sem engano, carro que não quebra, computador que não trava, e amigos que não falham. Sonhamos e esperamos saúde sempre, fidelidade constante, dinheiro suficiente, e amor abundante. Mas, a vida não é um sonho. Ela é real. E algumas vezes cruelmente real. O que fazer?

Uma personagem bíblica que pode nos mostrar algumas lições sobre as dificuldades da vida é Lia (em algumas versões Léia). Em Gênesis 29.16-35, abra sua Bíblia e leia o texto.

Lia me parece como uma moça cujas dificuldades na vida não foram resultados diretos de suas escolhas. Nasceu com olhos sem brilho, o que não lhe favorecia, pois na sociedade daquele tempo e lugar, olhos que brilhavam significava beleza. Alguém com olhos meigos, sem fervor, não seria notada. Nos dias de hoje seria semelhante a uma menina que não tem o corpo e o rosto das modelos e atrizes de TV.

Para complicar ainda mais sua situação, ela tinha uma única irmã, que era mais nova e linda! Raquel tinha uma forma bonita, e uma aparência digna de ser apreciada, com certeza algo que toda mulher gostaria de ter. Qualquer pessoa que olhasse para as duas irmãs se encantaria com Raquel, e deixaria Lia de lado. Lia já começou a vida em desvantagem. Era apenas sombra de sua irmã, uma tela de fundo que realçava a beleza da outra.

Sua família não nos parece muito estruturada. O pai era ganancioso e sem escrúpulos. Pronto para mudar sua palavra sempre que lhe fosse conveniente. Sem lealdade até para com as filhas (Gn 31.15). Aparentemente o dinheiro era tudo que lhe interessava. As filhas trabalhavam e provavelmente não ganhavam nada.

Um dia aparece na casa um primo distante. Provavelmente não sabiam, mas ele havia enganado seu pai e seu irmão mais velho. E estava fugindo da ira do irmão. Mas era um rapaz disposto e trabalhador. Ele se apaixona pela irmã mais bela. Trabalha por ela sete anos, e isto foi para ele como poucos dias, pelo tamanho de sua paixão. Como se sentiu Lia? Feliz pelo fato da irmã ter alguém tão apaixonado por ela!? Ou com inveja pelo fato de que agora a irmã sairia das garras do pai!? Não sabemos. Mas, independente de sua reação, ela novamente é apenas uma coadjuvante.

No casamento da irmã, ela recebe a notícia, de que ela é a noiva, e não a irmã. Penso que não lhe deram tempo para pensar, nem tão pouco competia a ela alguma decisão. O pai a colocou na cama que deveria ser da irmã. Ela foi apenas um joguete de negócios nas mãos dele. Será que ela alimentou a esperança de que Jacó mudasse de idéia? Que se apaixonasse por ela? Que desistisse de Raquel? Que pelo menos a amasse de igual modo?

Naquela noite Lia foi amada como se fosse Raquel! Amada como nunca fora, e nunca mais seria na vida! Devemos lembrar que era noite, escuro, além disso, havia o véu que as noivas usavam. Jacó expressou toda paixão contida naqueles sete anos. Mas de manhã percebeu que não era sua amada. Imagine quanta frustração ele sentiu. E qual terá sido a reação de Lia quando viu a decepção e frustração nos olhos de Jacó? Como foi o restante da semana de núpcias? Uma tentativa sempre frustrada de conquistar o coração de Jacó? Como foi aquela festa para ela, sabendo que na outra semana seu marido seria de sua irmã?

A vida estava lhe fugindo do controle. Ela não escolhera aquela situação, fora empurrada para dentro dela. Na linguagem secular, ela era uma prisioneira do destino. Na segunda família de sua vida, ela é de novo a segunda, a preterida. Apenas a suportada. A atenção e o relacionamento de Jacó eram pura obrigação, nada mais. O amor dele era por Raquel. Lia era corpo estranho naquela família. O casamento era uma aflição, e não ocasião para receber amor e aceitação. Mas ela ainda tinha uma esperança: filhos.

Os três primeiros filhos são agradecidos a Deus na esperança de que consiga o amor de seu marido. Ela está agindo como seu pai, usando os filhos como moeda de troca, não por dinheiro, mas por amor. Em certo sentido usa Deus: quer o marido como bênção maior, é para isto que os filhos lhe servem. Com certeza os filhos notam isto. Jacó está plantando o que mais tarde vai colher com o sofrimento de José. Deus está deixando acontecer o que mais tarde vai usar para cumprir seus planos.

No quarto filho Lia soube que deveria louvar a Deus e não esperar amor de seu marido. Quando a vida destrói sonhos, ainda podemos louvar, pois os planos de Deus não se frustram! Deus inverteu as expectativas e preferências humanas. É de Lia que saiu os ancestrais das duas maiores instituições de Israel: sacerdócio e reinado (Levi e Judá).

Os sonhos podem ser frustrados. Jacó trabalhou sete anos, cheio de esperanças e expectativas. Seus olhos se enchiam com Raquel. Quantos sonhos, pensamentos, desejos! Cada tarefa fatigante de cada dia daqueles sete anos era aliviada pela certeza de que um dia teria Raquel, bela de porte e aparência, como sua esposa. Penso que poucos homens têm um amor tão intenso e cheio de esperança. Não era qualquer mulher, era Raquel, só ela importava para ele. Por ela, ele trabalhava, suava, fatigava-se, esperava.

E Raquel? Como deve ter se sentido frustrada quando soube que sua irmã, e não ela seria dada a Jacó? Desta família cheia de enganos, dolos, frustrações, decepções, ódio, amores mal dirigidos, ganância, ambição, etc. Desta família que nenhum de nós escolheria como modelo, surgirá o Messias, nosso Redentor. Isto é graça!

Na vida participamos de situações constrangedoras e aflitivas que não escolhemos. Podemos entrar em casamentos sem amor. Movidos por nossas paixões sim, mas também movidos por fatores que não dependem de nós. Mesmo assim devemos louvar a Deus, desfrutar das bênçãos que Ele nos dá nestes relacionamentos, e continuar vivendo. Deus tem planos além de nós. Não veremos tudo que nossa vida produzirá. No meio da aflição devemos confiar e permanecer fiéis.

Provavelmente nos relacionamentos deste mundo seremos usados, trocados, mas também usaremos e trocaremos. Seremos mal amados, muitas vezes daremos mais do que receberemos. Outras vezes amaremos mal, mais receberemos do que daremos. Só que nada disto determina de modo final nossa vida, apenas a vontade de Deus. Nossa esperança deve estar em Deus. Só Deus sabe o que fará surgir de nossas trapalhadas, e das trapalhadas que fazem conosco. Nossa esperança é Sua graça! É nela que devemos esperar, é ela que determina nossa vida. Em meio aos sonhos frustrados, LOUVE.