segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O VALOR DE LER LIVROS

             A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, aliada à facilidade de acesso a uma infinidade de imagens em questão de segundos, tornou a leitura de um livro um desafio ainda maior.  A preferência por informações fragmentadas, como mensagens de Whatsapp, e a resistência a textos mais extensos são cada vez mais comuns.

                Contudo, a importância da leitura de livros permanece inegável.  Após a leitura do capítulo 7 do livro “A Pirâmide da Sabedoria” [1], gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre os benefícios da leitura de livros inteiros.

            Os livros são ferramentas poderosas para cultivar a sabedoria, não apenas pelas verdades que transmitem, mas também pela maneira como nos ajudam a pensar melhor. Em uma era marcada por constantes distrações, como smartphones, internet e a correria do cotidiano, a leitura de um livro oferece uma  
perspectiva diferenciada, auxiliando na concentração e proporcionando um espaço para a reflexãoA leitura de diversos gêneros, provenientes de diferentes épocas, culturas e visões de mundo, tanto ficção quanto não ficção, nos impede de ficarmos presos a uma perspectiva egocêntrica.  Os livros ampliam nossos horizontes, conectam diferentes temas e nos introduzem a um universo de conhecimento.

            A linguagem é um elemento essencial em nossas vidas, sendo a principal forma de expressarmos nossa identidade e nossos desejos.  A leitura de livros enriquece nosso vocabulário e nos capacita a comunicar nossos pensamentos e sentimentos com maior clareza e detalhamento, algo nem sempre fácil com imagens e músicas. 

            Ademais, a leitura promove a conexão com outras pessoas.  Ao nos envolvermos com diferentes personagens, perspectivas e experiências, desenvolvemos empatia e compreensão.  A ficção literária, em particular, nos permite compreender os pensamentos e sentimentos alheios, enxergar o mundo com outros olhos, imaginar com outras imaginações e sentir com outros corações.

            Ao dedicarmo-nos à leitura de um livro, imergimos no universo criado pelo autor, dedicando-nos, por um período prolongado, a compreender sua perspectiva. Essa imersão nos proporciona a oportunidade de apreender com maior profundidade a mensagem que ele pretende transmitir.

            Os livros constituem verdadeiros tesouros para o nosso intelecto. A leitura não apenas aprimora nossa capacidade de síntese e pensamento crítico, como também nos oferece uma base sólida para a realização de inferências, deduções e análises.  Ao ler, nosso cérebro torna-se mais apto a lidar com informações complexas, incentivando-nos à reflexão e à avaliação crítica, em vez de simplesmente aceitar tudo o que o autor apresenta. Ler com eficácia significa compreender o argumento do autor da maneira mais precisa possível, aprender com ele e compará-lo com nossos conhecimentos prévios.  A leitura frequente e aprofundada nos permite acumular um vasto repertório de conhecimentos que podem ser aplicados em nosso cotidiano.

Considerando tudo o que foi dito, podemos compreender o desejo do apóstolo Paulo, que, já no fim de sua vida, acreditando que sua partida deste mundo era iminente, pediu a Timóteo que o visitasse o mais rápido possível. O inverno se aproximava, e ele temia passar frio sem sua capa, que havia deixado em Trôade. No entanto, havia coisas ainda mais preciosas: os rolos e os livros (2Tm 4.9-21). [2]

            Nas prisões romanas frias, escuras e insalubres, ele anseia e pede três coisas: companhia, uma capa para se aquecer e livros e pergaminhos para ocupar sua mente. Quando nosso espírito está sozinho, precisamos de amigos. Quando nosso corpo está frio, precisamos de roupas. Quando nossa mente está entediada, precisamos de livros. [3] Este pedido confirma o fato, nada surpreendente, de que Paulo permaneceu um leitor e pensador dedicado ao ministério da palavra até o fim. [4]

            Sigamos o exemplo do apóstolo Paulo e valorizemos a leitura de livros.



[1] O livro “A Pirâmide da Sabedoria” foi escrito por Brett McCracken (Traduzido por David Brum Soares) e publicado no Brasil pelas editoras Thomas Nelson e Pilgrim em 2023.   

[2] Tom Wright, Paul for Everyone: the Pastoral Letters: 1 and 2 Timothy and Titus (London: Society for Promoting Christian Knowledge, 2004), 132.

[3] John Stott, Dale Larsen, e Sandy Larsen, Lendo Timóteo e Tito com John Stott, trad. Valéria Lamim Delgado Fernandes, Primeira edição, Lendo a Bíblia com John Stott (Viçosa, MG: Ultimato, 2019), 127.

[4] Robert W. Yarbrough, The Letters to Timothy and Titus, org. D. A. Carson, Pillar New Testament Commentary (Grand Rapids, MI; London: William B. Eerdmans Publishing Company; Apollos, 2018), 450.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A RESILIÊNCIA NECESSÁRIA PARA ENFRENTAR 2026



      Mais um ano se inicia, e nos perguntamos o que 2026 nos reserva. Gostaríamos de afirmar com certeza que teremos tempos bons, mas a incerteza é uma constante em nossas vidas. Cada um de nós enfrenta desafios e adversidades, como tempestades que nos testam, precisamos de resiliência.

         Mas o que é resiliência? A palavra vem do latim e significa “voltar ao estado anterior”, indicando elasticidade. [1]  Na física e na engenharia, descreve a capacidade de um material de retornar à sua forma original após ser submetido a impacto ou pressão.  Figurativamente, a resiliência se aplica ao comportamento humano, representando a capacidade de se recuperar e se adaptar às adversidades e mudanças da vida. 

    Uma pessoa resiliente é geralmente entendida como  alguém capaz de superar adversidades, adaptar-se a mudanças e se recuperar de situações difíceis.  Mais do que apenas suportar o estresse, essas pessoas aprendem e crescem com as experiências, mantendo o equilíbrio e a saúde mental. Elas são flexíveis, otimistas e autoconfiantes, usando o autoconhecimento para lidar com desafios de forma construtiva, extraindo aprendizados e encontrando soluções.[2]

        No entanto, essa definição, embora amplamente aceita em nossa cultura, não se alinha com as Escrituras. Expressa uma cosmovisão humanista e secular.  A perspectiva bíblica ensina que a resiliência não se baseia no autoconhecimento ou na autoconfiança, mas na “teoconfiança” – confiar em Deus e se apoiar no conhecimento que Ele revelou nas Escrituras. As Escrituras afirmam que a autoconfiança não é sinônimo de resiliência.

     O profeta Jeremias apresentou essa verdade em um texto bem conhecido, frequentemente citado, mas nem sempre bem interpretado: Jeremias 17.5-8. 


5Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor!6Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.

7Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor.8Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.[3]

 

            No livro de Jeremias, encontramos o relato de suas profecias, pronunciadas entre 627 e 574 a.C. Ele foi chamado para pregar para um povo que havia feito uma escolha trágica: abandonou a confiança em Deus para confiar em suas próprias obras, conforme relatado pelo próprio Deus: “abandonaram a fonte de águas vivas e cavaram cisternas rachadas” (Jr 2.13).

          Eram tempos de crise e ele foi chamado para proclamar o juízo de Deus sobre seu povo. Esse chamado lhe trouxe imenso estresse e tristeza constante (Jr 9.1; 20.7-9). Ele enfrentou incompreensões, ameaças, inimizades, perseguições e decepções. Em momentos de profundo abandono, solidão e desânimo, ele desabafou com Deus, questionando se Deus não seria como um ribeiro ilusório que frustra aqueles que o buscam para saciar sua sede (Jr 15.18). Apesar dessas dificuldades, ele foi encorajado a manter sua confiança em Deus (Jr 19-21), e ele o fez (Jr 16.19). Neste texto, ele declara que sua segurança transcende as condições e experiências externas, permanecendo inabalável diante de adversidades, rejeição, desprezo, perseguição e até mesmo a morte.[4]

           Esses versos estão posicionados logo após uma acusação contra o povo de Judá, que, como alguém que confia em seus próprios recursos, abandonou a Deus e, como consequência, enfrentaria a perda das bênçãos divinas (Jr 17.1-4). [5] Após uma fórmula de transição que apresenta a fonte da mensagem, “Assim diz o SENHOR”, o texto é estruturado em duas estrofes que comparam e contrastam dois tipos de pessoas. As estrofes não têm o mesmo número de linhas, pois Jeremias deliberadamente criou um poema distorcido, simbolizando a disparidade entre alguém que confia em outro ser humano e alguém que confia no SENHOR.[6]

               Os termos “maldito” ou “amaldiçoado” se referiam a pessoas que foram banidas da presença e favor divinos. Consequentemente, elas não encontravam realização na vida, mas sim uma existência vazia e repleta de dificuldades (Gn 3.14-19).  Elas não tinham sucesso nas tarefas que deviam desempenhar (Dt 28.15-19) e viviam com amargura (Nm 5.24).

          Neste texto, as pessoas malditas são descritas como aquelas que confiam em si mesmas, em sua própria humanidade, força, recursos e capacidades[7]. Elas acreditam que sua ajuda e socorro vêm de fontes visíveis, colocando toda a sua esperança no mundo material, em suas habilidades ou na opinião pública. Essas são as pessoas autoconfiantes, que a sociedade humanista aprova com aplausos.

        Confiar implica em se apoiar em algo e encontrar segurança nele, tornando-se dependente. Essa confiança traz uma sensação de bem-estar, sossego, descanso e despreocupação, pois a pessoa se sente segura.

           No entanto, confiar em si mesmo é afastar o coração do SENHOR. Quando alguém confia em si mesmo, se desvia de Deus, e seu coração é mantido distante d’Ele. O termo “coração” é usado figuradamente para representar o centro diretor da vida, abrangendo emoções, pensamentos e motivações. É aquele que orienta toda a vida e guia as decisões.   

             O texto nos traz uma imagem ilustra esse tipo de pessoa: um arbusto que indica uma árvore sem galhos ou com folhas minúsculas, lutando para sobreviver no deserto árido e sem água. Essa pessoa não consegue apreciar a bondade, mesmo quando ela se apresenta. Ao depositar sua confiança em sua própria condição humana, ela permanece cega para a felicidade e presa em um estado de aridez.[8] Por estar concentrada em seus próprios recursos, ela não consegue enxergar as manifestações da graça de Deus ao seu redor. Ela habita nos lugares áridos e secos, como uma terra salgada incapaz de sustentar a vida. 

            Em contraste, o bendito ou abençoado é aquele que cumpre sua missão (Gn 1.22,28) e encontra alegria e realização na vida (Sl 128). Sua confiança está firmemente em Deus, que serve como seu refúgio e amparo. Essa segurança traz consigo paz e tranquilidade reais (Sl 40.4; 118.8; Pv 14.26; 21.22; Is 32.18). Em vez de abandonar Deus, ele se entrega a Ele, virando as costas para o mundo e se lançando nos braços de Deus.

            Essa pessoa é comparada a uma árvore plantada junto às águas correntes, com raízes estendidas para uma fonte de vida constante. Mesmo quando o calor chegar, ela não teme. Notamos que não se trata de uma teologia da prosperidade material que promete a ausência de problemas.

            O texto enfatiza a vitalidade única de um indivíduo que confia no SENHOR. Mesmo quando o mundo ao seu redor se torna árido e tudo murcha, ele encontra recursos inesgotáveis de vitalidade. Sua confiança no SENHOR não depende de condições de vida favoráveis ou amplas. A passagem não sugere que a prosperidade seja uma recompensa pela fé. Em vez disso, ela descreve um homem que prospera como uma árvore alimentada por profundas e inesgotáveis águas subterrâneas, que nutrem sua vitalidade e fecundidade. Sua confiança no SENHOR lhe dá acesso a recursos espirituais inabaláveis. Ele resiste e prospera porque possui uma energia que o emancipa até mesmo do mais sombrio dos mundos externos, evitando a paralisia e o desespero.[9]

         As tribulações podem surgir, mas não assustarão alguém firmado no SENHOR. Mesmo durante a seca, ela mantém sua folhagem verde. Ela permanece imperturbável, não se deixando dominar pela ansiedade, preocupação ou aflição. Essa figura representa uma pessoa que suporta as adversidades da vida sem ansiedade, permanecendo estável e produtiva.[10]  Os tempos ruins não abalam sua confiança em Deus, e os tempos difíceis não afetam sua produtividade. Ela continua frutífera e abençoando os outros. Sua produtividade e capacidade de ser um meio de bênção para os outros são notáveis.[11]

        Assim como nenhuma árvore ou arbusto pode sobreviver sem água, não há, para o povo de Deus, substituto viável para a confiança genuína no SENHOR. Qualquer alternativa levará ao definhamento e à morte.[12] A felicidade não depende das circunstâncias ou situações; uma pessoa que confia em Deus mantém sua alegria mesmo nos momentos mais difíceis. Diante de crises, desafios e adversidades, devemos escolher entre confiar em nossos próprios recursos ou confiar em Deus. Devemos lembrar que o destino de vida ou morte é determinado pelo objeto da confiança de alguém. [13] 


[1] Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 

[2] Definição da pesquisa do Google, em 30 de dezembro de 2026, às 11 horas. 

[3] Sociedade Bíblica do Brasil, Almeida Revista e Atualizada, com números de Strong (Sociedade Bíblica do Brasil, 2003), Jr 17.5–8.

[4] William McKane, A critical and exegetical commentary on Jeremiah, International Critical Commentary (Edinburgh: T&T Clark International, 1986), 393.

[5] Peter C. Craigie, Jeremiah 1–25, vol. 26, Word Biblical Commentary (Dallas, TX: Word, Incorporated, 1991), 226.

[6] William Lee Holladay, Jeremiah 1: a commentary on the Book of the Prophet Jeremiah, chapters 1–25, org. Paul D. Hanson, Hermeneia—a Critical and Historical Commentary on the Bible (Philadelphia: Fortress Press, 1986), 490.

[7] Três termos são utilizados para isso. O primeiro, normalmente traduzido como “homem” designa o guerreiro, é o homem em seu apogeu e força[7] , o segundo, normalmente também traduzido como “homem” é um termo que indica a humanidade que teve sua origem na terra, sendo criatura de Deus.  E o terceiro, “carne” indica a fragilidade humana. 

[8] Esequías Soares, “Jeremias”, in Comentário Bíblico Latino-Americano, org. C. René Padilla et al., trad. Cleiton Oliveira et al., 1. ed. (São Paulo: Mundo Cristão, 2022), 950.

[9] William McKane,1986, 394.

[10] F. B. Huey, Jeremiah, Lamentations, vol. 16, The New American Commentary (Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1993), 173.

[11] John L. Mackay, Jeremias, trad. Vagner Barbosa, 1a edição, vol. 1, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2018), 576.

[12] Walter Brueggemann, A Commentary on Jeremiah: Exile and Homecoming (Grand Rapids, MI; Cambridge, U.K.: William B. Eerdmans Publishing Company, 1998), 160.

[13] Walter Brueggemann,  1998, 159.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

NATAL: UMA PROMESSA CUMPRIDA


             Natal é o nome popular dado ao primeiro advento do Senhor Jesus Cristo. “Advento” significa chegada, e se refere à Sua primeira vinda.         

        A data exata do nascimento de Jesus permanece desconhecida. Hipólito de Roma, em seu Comentário de Daniel, escrito em 211 d.C., foi o primeiro a afirmar que o nascimento de Jesus ocorreu em 25 de dezembro.  Portanto, a celebração do Natal em 25 de dezembro não se originou da cristianização de uma festa pagã romana em homenagem ao Sol, que só foi celebrada nessa data mais de um século depois, em 354 d.C., nem na Saturnália outra festa pagã romana, que era celebrada em meados de dezembro, e não no dia 25.[1]  

    Em última análise, o Natal não se trata de uma data específica, mas sim do cumprimento de uma promessa que transformou nossa história.  

       Quando falamos do nascimento de Jesus, não nos referimos ao momento em que Ele passou a existir, pois Ele já existia antes de qualquer criação. João 1.1-3 revela que Ele estava presente no princípio, mesmo princípio mencionado em Gênesis 1.1, quando a criação começou. Ele estava com Deus no princípio e Ele era Deus. A segunda pessoa da Trindade, existia eternamente e desempenhou um papel crucial na criação. A criança que os pastores encontraram na manjedoura era a mesma pessoa que colocou as estrelas no céu — incluindo a própria estrela que levou os magos do Oriente a vir e adorá-lo[2], e era a mesma pessoa que criou os anjos que cantaram no seu nascimento!  

       Natal fala de sua encarnação, quando Ele assume a natureza humana, tanto para revelar a glória de Deus aos homens como para realizar a salvação do povo de Deus em plenitude de graça e verdade (Jo 1.14).  Sua vinda ao mundo foi aquele momento, há mais de dois mil anos, quando a segunda pessoa da Trindade, Jesus, que existia antes do início dos tempos, foi entregue a este mundo. Sua concepção foi sobrenatural, realizada pelo Espírito Santo, garantindo sua natureza divina (Mt 1.20; Lc 1.34,35), mas seu nascimento foi semelhante ao de qualquer outro bebê. 

        Esta vinda foi prometida e planejada. O apóstolo Pedro afirma que sua crucificação já era conhecida antes da fundação do mundo (1Pd 1.20). Portanto, a história do Natal começou antes mesmo da criação.

       A primeira promessa aparece quando o homem desobedece a Deus pela primeira vez, trazendo a maldição para este mundo. Este pecado desencadeia um conflito cósmico que permeia toda a narrativa bíblica. No entanto, Deus promete que um descendente da humanidade derrotaria Satanás, emergindo como um Rei vitorioso (Gn 3.15). Essa promessa sustentou os fiéis antes do dilúvio, pois esperavam ansiosamente a vinda do Senhor para derrotar o mal e abençoar a terra. Acreditavam que era alguém descendente da humanidade, mas que também seria a vinda de Deus, embora, talvez, não pudessem conciliar estes dois aspectos (Jd 14,15; Gn 5.29).

       Apesar da crescente rebelião humana causar a destruição da humanidade, Deus preservou uma linhagem por pura graça (Gn 6.5-8). O conflito entre a maldição e a bênção persiste, mas Deus faz uma promessa de abençoar um ramo específico da humanidade com Sua presença (Gn 9.25-27). Deste ramo abençoado Ele escolhe Abraão, prometendo que por meio dele viria um descendente que abençoaria toda a terra (Gn 12.1-3). O tema da descendência permanece central, explicando o foco da Bíblia nas genealogias. 

Entre os numerosos descendentes de Abraão, a promessa se estreita para Jacó e Judá, predizendo a vinda de um reino que governaria o mundo e cuja prosperidade reverteria as consequências do pecado (Gn 49.8-12). Este reino estava no futuro, e seu rei foi comparado a uma estrela e derrotaria os inimigos (Nm 24.17-19). 

        A primeira menção a este Rei como o Ungido (Messias ou Cristo), alguém escolhido e capacitado por Deus para executar seu plano, é feita por Ana, louvando pelo nascimento de seu filho, Samuel. Ela canta o poder de Deus em derrotar os inimigos e dar vitória ao Seu povo (1Sm 2.1-10). A promessa se torna mais específica, centrando-se em um descendente da dinastia de Davi, que estabeleceria um reino eterno (1Sm 7.16; Salmo 89.3,4). 

        Vários profetas acrescentaram detalhes da vinda deste Rei Ungido. Isaías declara que a vinda dele traria luz para os povos que andavam em trevas, alegria para os entristecidos, vitória para os derrotados e libertação para os oprimidos. Deus daria Seu filho, nascido como menino, que seria o Rei, filho de Davi, governando com conselhos maravilhosos, com o poder divino, por toda a eternidade e com paz, direito e justiça (Is 9.1-7). Seria filho de Davi, mas também Deus Forte e Pai da Eternidade.

        Miquéias, contemporâneo de Isaías, profetizou que ele seria um rei-pastor, que embora existindo desde a eternidade, nasceria em Belém, uma pequena vila, quase sem destaque entre as cidades de Judá. E que seu governo traria paz e segurança para o povo (Mq 5.2-5).  

        Os evangelhos proclamam que essas promessas começaram a se cumprir com o nascimento de Jesus. Mateus, iniciando seu evangelho com uma genealogia, apresenta Jesus como o descendente real prometido (Mt 1.1-17). Ele completa a narrativa do nascimento e infância de Jesus com cinco citações do Antigo Testamento, demostrando que as profecias estavam se cumprindo. Marcos, embora não tenha relatos do nascimento e infância, mostra que o ministério de Jesus cumpria as escrituras proféticas (Mc 1.1-3). Lucas nos apresenta que a história de Jesus ocorreu dentro de um contexto específico de tempo e espaço, destacando a providência divina que garantiu o cumprimento das profecias (Lc 2.1-7). 

        Os evangelistas enfatizam que não podemos entender a chegada de Jesus a menos que a entendamos à luz do panorama geral que a Bíblia nos oferece — a menos que a vejamos no grande esquema dos planos e propósitos de Deus em desenvolvimento.[3]

     Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou! Sua morte e ressurreição garantiram a vitória na luta contra o pecado, o Diabo e as maldições que eles trouxeram. Para a serpente a guerra está perdida, não terminada, mas perdida. Para o reino de Deus, a guerra está ganha, não terminada, mas ganha. 

        Desde a eternidade, Deus planejou enviar seu Filho para que pudéssemos ter vida eterna com Ele. Embora este advento seja o ponto alto da história bíblica, não é o fim. Haverá um segundo advento, quando a obra do Messias será finalmente consumada, quando todos os inimigos serão plenamente derrotados e os reinos do mundo passarão a ser de Jesus e todos os inimigos derrotados (1Co 15.24-26; Ap 11.15). Portanto, o Natal é um ponto crucial nesta história, mas não é o ponto final. 


[1] Veja argumentação no vídeo https://youtu.be/ik7qwgy6Q4E?si=OC6jxxhzAQLQGJz3. Assistido no dia 24 de dezembro de 2025. 

[2] Begg, Alistair. O Salvador Chegou! (Portuguese Edition) (p. 13). (Function). Kindle Edition.

[3] Begg, pg. 62 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

O DESCONTENTAMENTO IMPEDE O DESFRUTAR DAS BÊNÇÃOS


Um constante descontentamento que se manifestava em murmuração caracterizava o povo de Israel no deserto. 


Essa insatisfação reclamava contra os dons que Deus graciosamente lhes havia concedido: o maná, que diária e gratuitamente os alimentava (Nm 11.6); Moisés, que com sua liderança os orientava trazendo a revelação de Deus e os protegia da destruição com sua amorosa intercessão; o sacerdócio de Arão e filhos, que permitia a adoração e comunhão com Deus sem que fossem destruídos (Nm 16.1-19). 

A amargura estava tão arraigada em seus corações, que nem mesmo sinais terríveis contra os revoltosos impediram o ressurgimento das reclamações (Nm 16.23-35,41,42). Apenas a expiação deteve o juízo que traria a completa destruição do povo (Nm 16.45-50). 

        Aquelas pessoas se demonstraram incapazes de desfrutar das bênçãos que Deus lhes derramava naquele deserto: cotidiana orientação através da nuvem, provisão diária com o maná, proteção dos povos inimigos, a constante presença de Deus no tabernáculo e a expectativa de entrar na terra prometida.                             

  Tinham tudo isso, nada necessário lhes faltava. Mas o descontentamento era uma voz teimosa e persistente em seus ouvidos dizendo que tudo lhes faltava. 

       Diante de qualquer contratempo o descontentamento produzia o desejo insensato de trocar não apenas um presente cheio de vida e de possibilidades, como também um futuro numa terra que manava leite e mel, por um passado de morte e juízo (Nm 20.3). 

        Quando a insatisfação se arraiga no coração, nem o céu parece ser suficiente! Tudo parece pouco e com gosto ruim. A gratidão evapora e a murmuração se condensa.                      


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

SUGESTÕES PARA CULTIVAR A PRESENÇA DE DEUS NO DIA A DIA


Tudo que é importante deve ser valorizado. Uma das maneiras de demonstrarmos valor nos relacionamentos é fazer esforço por manter um contato constante com a pessoa que afirmamos amar. Dizer que alguém é valioso e ficar indiferente a ele é desmentir com atitudes o que anunciamos com palavras. 

Outra maneira de demonstrarmos o valor de alguém é aceitar a influência desta pessoa. Quanto maior a importância da pessoa, maior será seu impacto em nossas vidas.

Deus é a pessoa mais importante da nossa vida, pois dependemos d'Ele em tudo, embora nem sempre reconhecemos isso.  Sendo Deus a Pessoa de suprema importância, deve ser grande o nosso esforço por manter contato constante e de permitir que nos influencie. 

Como incrementar nosso relacionamento com Ele? Como permitir que o relacionamento com Ele modele nossa vida?

Segue algumas sugestões que tenho lido e ouvido.

 

1. Quando acordar, escolha que seus primeiros pensamentos sejam para Deus e para Sua Palavra. Agradeça a noite de sono e por mais um dia que Ele lhe oferece como um presente. Lembre-se que a misericórdia d'Ele está se renovando mais uma vez sobre você. Peça que a graça d'Ele lhe cerque, que Sua sabedoria lhe oriente e que o Seu poder lhe sustente. 

 

2. Reserve um tempo no dia para um retiro, isto é, para ter um momento devocional, no qual manifesta sua devoção a Deus. Um momento em que sua alma se retira dos afazeres comuns do dia a dia e se consagra em meditar nos interesses celestiais. Faça sua leitura das Escrituras e escolha uma parte do texto ou um ensino do texto para refletir sobre ele. Ore adorando, agradecendo, confessando, pedindo e intercedendo. 

 

3. No decorrer do dia, sempre que se deparar com num problema ou uma situação difícil, clame a Deus em seu coração, consciente de que Ele está com você. Se o momento for de alegria, eleve um agradecimento a Deus, dirija a Ele seu contentamento e sorriso.    Clame a misericórdia de Deus para com cada pessoa que encontrar. Diante de imprevistos, pergunte a Ele: o que a Tua soberana sabedoria tem para mim com este presente num embrulho que me parece desagradável? 

Em cada momento esteja consciente da presença protetora e amorosa de Deus, e alegre-se por tão admirável e agradável companhia.  Aproveite os lembretes enviados por Ele para pensar n'Ele. Exemplo: ao ver um pardal, lembre-se que Jesus disse que Deus está cuidando de todos eles. Quando se deparar com uma flor bonita recorde que Deus a fez com aquela beleza e que Ele promete cuidar de você de forma mais bondosa.  

4. Ao final do dia, quando se deitar, novamente adore, agradeça, confesse, peça e interceda. Se algum problema vier perturbar sua mente, coloque nas mãos de Deus, pedindo que Ele lhe dê forças e sabedoria para resolver aquilo no dia seguinte, e que Ele também lhe conceda a confiança calma para esperar n’Ele até o próximo dia enquanto descansa. 

domingo, 23 de junho de 2024

REPASSANDO O ENSINO PARA A PRÓXIMA GERAÇÃO




A árvore, quando já velha, resiste fortemente ao vento, precisamente por ter sido bem enraizada quando era jovem
.[1]

Para nossos filhos resistirem aos ventos fortes que buscam desestabilizá-los, eles devem criar raízes fortes no ensino cristão. É necessário ensinar as gerações mais novas.  O profeta e cantor Asafe escreveu sobre isso na estrofe introdutória do salmo 78 (Sl 78.1-8).

A geração mais velha, especialmente os pais, tinha a responsabilidade de repassar o ensino para os filhos e para as gerações mais novas (Sl 78.5).  Deus já havia ordenado que deveria ser assim (Dt 6.4-9; 11.18-21; 29.29). Estas mesmas ordens são repetidas para os pais cristãos (Ef 6.4; Tt 2.1-15). Quando os de mais experiência abdicam do seu dever de passar os ensinos para os mais novos, o bastão da fé cai por terra, uma geração que não conhece o SENHOR se levanta e abandona os mandamentos de Deus, e o resultado é catastrófico para o povo de Deus, como ocorreu na época dos juízes (Jz 2.10,11).

O conteúdo deste ensino deve ser o relato do que Deus tem feito, os mandamentos que Ele estabeleceu e deixou registrado para Seu povo (Sl 78.4,5). Os feitos de Deus devem ser repassados aos nossos filhos. No caso do povo de Israel, esses feitos incluíam a redenção realizada, resgatando o povo do Egito e a doação da lei. No nosso caso, é a redenção realizada pelo Senhor Jesus Cristo, o evangelho de Deus que anuncia a solução para o pecado humano e a salvação conquistada na cruz. 

Para ensinar é preciso saber. Por isso o salmista convoca sua geração para ouvir o que ele vai ensinar. Relembra que Deus estabeleceu ensinos para o seu povo com ordens que estes ensinos fossem repassados (Sl 78.1,3). Alguns pais falham em repassar os ensinos, simplesmente porque não se preocupam em aprender. Estão ocupados demais com outros afazeres e não investiram tempo em cultivar um aprendizado das Escrituras. Portanto, não têm o que ensinar.

Este ensino deve ser feito de modo atraente, criativo e inteligente (Sl 78.2). O salmista fala que falará por parábolas e enigmas, que eram o uso de linguagem figurada, que fazia comparações para ensinar o desconhecido a partir daquilo que já era conhecido, e que estimulava o raciocínio, levando o aluno a pensar para poder aprender.

O propósito do ensino era prático. Era para ser experimentado na vida (Sl 78.7,8). Visava a cultivar uma vida de confiança em Deus, reconhecendo que a esperança desta vida deve ser depositada em Deus, que não há nada mais em que possamos esperar ou confiar. Visava, ainda a que obedecessem aos mandamentos de Deus, ficando livres da teimosia e rebeldia de um coração instável, inseguro e infiel.  E que eles também soubessem da responsabilidade de continuar repassando estes ensinos para as novas gerações (Sl 78.6).

Nosso desejo é que nossos filhos resistam aos ventos que tentam desestabilizá-los da fé. Para isso, eles devem criar raízes fortes enquanto estão crescendo. Então vamos aprender o que Deus deixou registrado na Sua palavra, para que sejamos capazes de repassar a eles, de forma atraente, criativa e inteligente e, assim, eles possam desenvolver uma fé e uma obediência enraizadas na Palavra de Deus. 

[1] Charles H. Spurgeon, O Tesouro de Davi, trans. Elisa Tisserant de Castro, 1.a edição. (Curitiba, PR: Publicações Pão Diário, 2018), 329.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

RENOVANDO O ÂNIMO PARA ENFRENTAR MAIS UM ANO QUE SE INICIA – 2ª PARTE


 
Há pessoas que “desistem da vida muito antes que seu coração pare de bater — estão acabadas, esgotadas, despedaçadas, mas ainda assim acordam todas as manhãs e arrastam as pernas cansadas por mais um dia. Talvez esperem por uma mudança - ou mesmo um milagre -, mas os sonhos fugidios e os anos perdidos lhes pesam nas costas. É o único casaco que sabem usar. Acostumaram-se.”[1]


            Creio que a citação acima descreveria a vida de alguns dos exilados de Israel. Desprezados, oprimidos, pobres, necessitados, sedentos, roubados, saqueados, aprisionados, cegos e surdos para o que Deus dizia e fazia, sentindo-se esquecidos e abandonados por Deus (Is 40.27; 41.14,17; 42.18-20,22; 49.14). Em nossos dias também há pessoas assim. Pessoas que se sentem na margem de um rio, em que, de um lado há a necessidade, do outro, o medo; e além do seu alcance: a esperança.[2] 

Qual seria a ponte para aquelas pessoas alcançarem a esperança e terem suas forças renovadas? A resposta é o conhecimento de Deus, conforme revelado em Sua Palavra. Conhecer a Deus é o modo como deve o povo de Deus reagir quando se encontra numa situação difícil que não compreende.[3] 

Deus revelou-se aos exilados para lhes renovar o ânimo, através do profeta Isaías (Is 40.12-31). Após uma belíssima descrição de Deus, o profeta repete nos últimos quatro versos palavras que tratam do cansaço e da exaustão, e assim contrasta Deus com as forças do mundo. Deus não se cansa, nem fica exaurido. Ele fortalece os cansados e sem vigor. Os fortes deste mundo se cansam e ficam exauridos. Mas os que esperam no SENHOR não se cansam nem ficam exauridos. Deus é o incansável que revigora os cansados e desanimados. 

Este é o ponto alto da mensagem do profeta, o qual oferece uma palavra de conforto e encorajamento, sugerindo que é possível suportar as provações através da ajuda de Deus, a qual está disponível para os seus. Deus é "aquele que dá” força extra para que os cansados não se cansem ou enfraqueçam durante esse período de dificuldades. Deus não está ausente, indisponível ou indisposto a ajudar.[4] Ele cuida dos cansados e impotentes. Deus nunca tem falta de nada, mas sempre está pronto para ajudar aqueles que sofrem falta. Sua força é inesgotável e suficiente para socorrer os que dependem d’Ele. 

Todo poder humano é limitado.  Mesmo os humanos mais vigorosos são mortais e falíveis. Têm suas limitações físicas. Não precisamos temê-los, quando temos outra fonte para suprir nossas vidas. Mas, se não tivermos nenhuma relação com a fonte transcendente, então estas palavras trazem consigo o calafrio do túmulo. Esperar em Deus não é simplesmente deixar o tempo passar, mas viver com expectativa confiante.[5]       

Esperar em Deus implica a existência de um laço espiritual que permite que as pessoas admitam a sua própria impotência e entreguem o seu bem-estar completamente nas mãos do seu forte poder. Este ato de confiança permitirá a Deus substituir a fraqueza humana pelas poderosas asas metafóricas de uma águia. A confiança permite que as pessoas percorram o caminho que Deus escolheu para as suas vidas (quer seja agradável ou desagradável) sem se cansarem ou quererem desistir. [6] 

É uma dependência ativa que espera com perseverança concentrada, desistindo de seus próprios esforços, mas não de abandonar sua confiança em Deus. Essas pessoas devem viver pela fé, pois só assim podem permanecer de pé, conforme já havia sido dito em Is 7:9. Elas confiam nos meios, métodos e tempo do SENHOR e não ficarão desapontadas.[7] Por isso, antecipam os resultados positivos prometidos por Deus, continuando avançando, acima das circunstâncias. Tais pessoas trocam sua fraqueza pela força de Deus, seu cansaço pelo vigor de Deus, seu desânimo pelo ânimo em Deus, sua desesperança pela esperança em Deus 

São semelhantes às águias, capazes de voar alto, levando e cuidando de seus filhotes com segurança, protegidos diante do perigo (Ex 19.4; Dt 32.11; Jr 49.16; Ob 4). Que agem de modo impetuoso, rápido e forte (Dt 28.49; 2Sm 1.23; Jó 9.26; Jr 4.13; Hc 1.8). Sua força é renovada como a da juventude (Sl 103.5). Longe de serem esmagados na terra por sua própria impotência, os que dependem de Deus podem estender as asas sem qualquer esforço, como fazem as águias, e planar sobre o vento.[8] Como corredores de uma maratona, continuam na corrida mesmo cansados, pois sabem e esperam que Deus os fortaleça.   

O profeta mostra que Devido à sabedoria e ao poder soberano de Deus, o povo de Judá devia compreender que Ele conhecia os seus problemas, preocupava-se profundamente com eles e continuaria a apoiá-los. Aqueles que confiavam em sua própria força física falhariam, mas aqueles que confiavam em Deus teriam suas forças renovadas por Ele para que pudessem ‘voar com asas como águias’. [9]

O que espera em Deus sabe que reclamar dos problemas atuais não os fará desaparecer. A solução é reconhecer que tudo o que acontece faz parte do plano soberano de Deus e que Deus dá livre e abundantemente uma porção de sua força àqueles que precisam dela em tempos difíceis. É na fraqueza humana que se manifesta o seu poder e a sua glória.[10] Pois Deus é capaz de dissipar as nuvens da incerteza, fraqueza e desorientação do seu povo. Ele graciosamente faz disponível sua vitalidade ao combalido na terra.[11] 

Esperar em Deus implica conhecer Deus, conforme Ele se revelou em Sua Palavra. Reconhecer que Ele é o Deus sábio e criador todo-poderoso dos céus e da terra, que sua sabedoria e o seu controle soberano são ilimitados e ultrapassam em muito a compreensão do homem. Se Deus pode marcar as distâncias nos céus com as suas mãos, pode medir a água dos oceanos na palma da sua mão e pode chamar todas as estrelas pelo nome, Ele pode fazer qualquer coisa que decida realizar. O seu poder é insondável; a sua influência é ilimitada; a sua sabedoria não tem limites. Isto significa que cada pessoa pode saber com certeza que Deus é capaz de controlar todos os aspectos deste mundo. Ainda hoje, a esperança assenta-se numa base sólida do que Deus fez no passado; por isso, confiar em Deus para o futuro faz sentido. Quando surgem provações e dúvidas, o povo de Deus deve voltar ao fundamento da sua fé, o caráter de Deus que é revelado nas Escrituras. Ela retrata um grande Deus que é digno de confiança.[12]

Diante dos acontecimentos que escapam ao nosso controle e nos fazem cansar e cair, devemos lembrar de quem Deus é. Isto renova nossas forças e concede energia para continuar confiantes esperando em Deus.



[1] Hofman, Beth, Procure por mim, (Trad. Claudia Guimarães, Angela Pessoa); RJ; Rhada Brasil Edições e Serviços, 2021. Pg. 227.   

[2] Martin, Charles, O que não está escrito, (Trad.Carlos Alves); RJ; Reader's Digest, 2014, pg. 475

[3] Smith, Gary, Isaías 40-66, vol. 15B, The New American Commentary (Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 2009), 121.

[4] Smith, Gary, 2014, pg. 122

[5]  Oswalt, John, (2011), 104.

[6] Smith, Gary (2009), 122.

[7] Paul R. House, Isaiah: A Mentor Commentary, vol. 2, Mentor Commentary (Ross-shire, Grã-Bretanha: Mentor, 2018), 289.

[8] Oswalt, John (2011), 105.

[9] Charles Dyer et al., Nelson's Old Testament Survey: Discover the Background, Theology and Meaning of Every Book in the Old Testament (Nashville, TN: Word, 2001), 564.

[10] Smith, Gary (2009), 122.

[11] Oswalt, John (2011), 104.

[12] Smith, Gary (2009), 123.

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